Alimentação Complementar

Alimentação Complementar

 

ALIMENTAÇÃO COMPLEMENTAR

Uma alimentação saudável possibilita um crescimento e desenvolvimento adequado, otimiza o funcionamento de órgãos, sistemas e aparelhos e atua na prevenção de diversas doenças a curto e longo prazo. Na alimentação infantil, deve-se considerar as limitações fisiológicas do organismo do bebê. Durante os primeiros meses de vida, o trato gastrointestinal, os rins, o fígado e o sistema imunológico encontram-se em fase de maturação e até os 6 meses de vida, o leite materno é capaz de suprir todas as necessidades do lactente1.

O governo brasileiro e órgãos representativo no Brasil recomendam o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida e a partir desta idade, este tipo de aleitamento já não se torna suficiente para atender as necessidades nutricionais da criança, sendo necessário realizar a introdução da alimentação complementar, onde o bebê já tem desenvolvidos o reflexos necessário para a deglutição e a erupção dos primeiros dentes, o que facilita a mastigação, sendo visado o fornecimento de energia, proteínas, vitaminas e minerais, não excluindo o aleitamento materno durante esta fase, desta forma, a criança deve continuar a mamar até o dois ou mais2,3,4.

O que é a alimentação complementar?

A alimentação complementar é aquela fornecida no período em que outros alimentos ou líquidos são oferecidos em adição ao leite materno. Qualquer alimento ou líquido ofertado à criança, além do leite materno, durante esse período é chamado de “alimento complementar”, podendo ser subdividido em duas categorias, sendo elas a de alimentos transicionais, que são preparados exclusivamente para a criança e modificados de forma que atendam as habilidades e necessidade da criança e alimentos complementares não modificados, onde a criança consome os alimentos na forma em que os demais membros da família consomem4

Como fazer da alimentação complementar um sucesso?

O sucesso da alimentação complementar depende de paciência, afeto e suporte por parte dos pais e/ou cuidadores da criança. A introdução de novos alimentos e líquidos deve ser feita de forma lenta e gradual e não devem substituir o leite materno,

 

os pais devem estar cientes de que a criança tende a rejeitar a primeiras ofertas de alimentos, pois nesse momento tudo é novidade: a colher, a consistência e o sabor 3,2.

Algumas crianças se adaptam facilmente e aceitam bem a nova alimentação, outras precisam de mais tempo para isso, a chave para o sucesso neste momento é ter calma e paciência. São necessárias de oito a dez exposições para que o alimento seja aceito pelo bebê, pois a preferência por determinado tipo de alimento decorre de um processo de aprendizagem. As crianças aprendem a ter maior preferência pelos alimentos que são oferecidos com maior frequência, sendo importante para a formação de uma alimentação variada que a criança seja exposta, em tempo oportuno, aos mais diferentes tipos de alimentos possíveis ainda no primeiro ano de vida2,4,5,6.

Desta forma é importante a oferta de frutas, legumes e verduras, cereais, tubérculos e carnes, dando-se preferência para aqueles produzidos na sua região, além da introdução da água, pois assim a criança obterá todos os minerais e vitaminas importantes para seu crescimento e desenvolvimento2,4.

Como deve ser a alimentação complementar?

Além de oferecer um ambiente agradável para a alimentação da criança, da paciência na hora de oferecer os alimentos, respeitando-se sempre a vontade do bebê, os pais e/ou cuidadores devem atentar para o preparo da refeição que será oferecida1,2,3.

Quando o bebê completar 6 meses de vida, os alimentos complementares devem ser oferecidos três vezes ao dia de acordo com os horários das refeições da família, sendo divididos em papa de fruta, papa salgada e papa de fruta novamente, contribuindo com o fornecimento de energia, proteína e micronutrientes. Ao completar 7 meses, deve ser acrescentado a segunda papa salgada1,2,3.

Deve-se oferecer a criança alimentos variados todos os dias, uma alimentação diversificada é também uma alimentação colorida, estimulando desta forma o consumo de frutas, verduras e legumes nas refeições. Além disso deve-se evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgados e outras guloseimas nos primeiros anos  

 

de vida e no preparo das papas salgadas, deve-se usar sal e temperos com moderação. A crianças devem sentir o sabor verdadeiro dos alimentos e não o sabor dos condimentos1,2,3.

A partir do momento em que a criança inicia a alimentação complementar, a absorção de ferro proveniente do leite materno diminui, sendo importante a introdução de carnes, víscera e miúdos, estes dois últimos devem ser oferecidos pelo menos uma vez na semana. Para que o ferro de origem vegetal seja melhor absorvido, é importante oferecer ao bebê alimentos fonte de vitamina C, junto ou logo após a refeição1,2,3.

Ao preparar a refeição da criança, os responsáveis por esta tarefa devem atentar muito para a higiene na hora do preparo, pois a contaminação de utensílios, da água e dos alimentos, pode levar ao desenvolvimento de doenças. Desta forma, a correta higiene das mãos, dos utensilio e dos alimentos é muito importante para que a alimentação do bebê seja ainda mais saudável1,2,3.

Como deve ser a papa de fruta e a papa salgada

A consistência das papas deve ser espessa desde o início começando com consistência pastosa e gradativamente aumentar até a criança chegar à alimentação da família, lembrando sempre que os alimentos devem ser oferecidos com auxílio de colher ou copo no caso dos líquidos1,2,3.

Deve conter na papa salgada um alimento do grupo dos cereais ou tubérculos, um dos legumes e verduras, um do grupo dos alimentos de origem animal (frango, boi, peixe, miúdos, ovo) e um das leguminosas (feijão, soja, lentilha, grão de bico). As frutas utilizadas para a papa de fruta devem ser amassadas ou raspadas com a colher, nunca liquidificadas, dando-se importância para os alimentos regionais que estiverem disponíveis para consumo2.

Os alimentos utilizados na papa salgada devem ser bem cozidos. A água utilizada deve ser suficiente para amaciar os alimentos, sobrando pouca água na panela. Quando a criança estiver entre 6 a 7 meses, os alimentos que serão oferecidos devem ser amassados com auxílio de um garfo, nunca do liquidificador e sem passar pela peneira,

 

fazendo com que os alimentos fiquem com aspecto pastoso de papa ou purê, garantindo assim a quantidade de energia que o bebê precisa2.

A primeira papa salgada pode ser oferecida no almoço ao completar 6 meses e quando o bebê completar 7 meses, conforme a aceitação da criança, a segunda papa salgada pode ser introduzida no jantar2.

A partir dos 8 meses, algumas preparações da casa como o feijão, o arroz, cozidos de carne ou legumes, podem ser oferecidos à criança, amassados ou desfiado e que não tenham sido preparados com condimentos picantes e excessivos. Evitar oferecer como refeição, alimentos líquidos de baixa densidade calórica como sopas, caldos e sucos. Ao completar 12 meses recomenda-se que a criança passe a ter três refeições principais (café da manhã, almoço e jantar e dois lanches (frutas ou cereais ou tubérculos)2.

O Ministério da Saúde2 recomenda o seguinte esquema alimentar para os dois primeiros anos de vida das crianças amamentadas:

Ao completar 6 meses

Ao completar 7 meses

Ao completar 12 meses

Leite materno sob livre demanda

Leite materno sob livre demanda

Leite materno e fruta ou cereal ou tubérculo

Papa de fruta

Papa de fruta

Fruta

Papa salgada

Papa salgada

Refeição básica da família

Papa de fruta

Papa de fruta

Fruta ou pão simples ou tubérculo ou cereal

Leite materno

Papa salgada

Refeição básica da família

Fonte: Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica. 2ª ed, 2013, Ministério da Saúde.

Exemplos de alimentos dos grupos alimentares que podem ser usados no preparo das papas2.

Cereais e tubérculo

Arroz, aipim/mandioca/macaxeira, batata-doce, macarrão, batata, cará, farinhas, batata-baroa e inhame. 

Leguminosas

Feijões, lentilha, ervilha seca, soja e grão-de-bico.

Legumes, verduras e frutas

Folhas verdes, laranja, abóbora/jerimum, banana, beterraba, abacate, quiabo, mamão, cenoura, melancia, tomate e manga.

Carnes ou ovo

Frango, peixe, pato, boi, ovo*, miúdos e vísceras.

 

Fonte: Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica. 2ª ed, 2013, Ministério da Saúde.

*O ovo cozido (clara e gema), pode ser introduzido ao completar 6 meses, mas seu uso deve ser avaliado, sendo importante considerar o histórico familiar de alergias alimentares e a disponibilidade financeira da família para oferecer outras fontes proteicas para a criança.

Autoras:

Nutricionista Cristal Torres

Nutricionista Fernanda Medeiros

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